Encontro bastante facilidade em equilibrar as idas ao campo e os momentos de solitude. Eu sei que preciso dos dois, mas parece que sempre acabo pendendo mais para um lado: ou fico exausta, ou mal-humorada. E não é só essa falta de equilíbrio que tem me atravessado. Grande parte disso vem da responsabilidade de estar mais presente, cuidando da minha mãe já idosa, o que naturalmente me puxa para uma rotina mais recolhida. Ainda assim, abril me levou de volta ao campo e, de certa forma, a mim mesma.
Entre os cuidados com minha mãe, as idas ao mercado e os compromissos de sempre, consegui estar no campo três vezes ao longo do mês. Pode parecer pouco, mas, para mim, foi muito. Cada ida carrega um misto de dever e afeto, de cansaço e pertencimento.
Teve um sábado em que eu até tinha pensado em fazer algo diferente, mas acabei indo para lá mesmo. E, no fim, foi o melhor que poderia ter feito. Enquanto cuidava da minha mãe, entre um gesto e outro, encontrei pequenos intervalos de silêncio só meus. Caminhei pelo mesmo chão de terra que um dia percorri quando criança, senti o cheiro das árvores, ouvi os sons antigos daquele lugar.
Fiquei ali, entre memórias e presença, escrevendo, observando, deixando o tempo passar mais devagar. E foi nesse encontro entre o que fui e o que sou que lembrei que ainda existo para além das responsabilidades. Que ainda sou, profundamente, humana.

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