3 de maio de 2026

Silêncios que Acolhem, Afetos que Chegam!

Encontro bastante facilidade em equilibrar as idas ao campo e os momentos de solitude. Eu sei que preciso dos dois, mas parece que sempre acabo pendendo mais para um lado: ou fico exausta, ou mal-humorada. E não é só essa falta de equilíbrio que tem me atravessado. Grande parte disso vem da responsabilidade de estar mais presente, cuidando da minha mãe já idosa, o que naturalmente me puxa para uma rotina mais recolhida. Ainda assim, abril me levou de volta ao campo e, de certa forma, a mim mesma.


Entre os cuidados com minha mãe, as idas ao mercado e os compromissos de sempre, consegui estar no campo três vezes ao longo do mês. Pode parecer pouco, mas, para mim, foi muito. Cada ida carrega um misto de dever e afeto, de cansaço e pertencimento.


Teve um sábado em que eu até tinha pensado em fazer algo diferente, mas acabei indo para lá mesmo. E, no fim, foi o melhor que poderia ter feito. Enquanto cuidava da minha mãe, entre um gesto e outro, encontrei pequenos intervalos de silêncio só meus. Caminhei pelo mesmo chão de terra que um dia percorri quando criança, senti o cheiro das árvores, ouvi os sons antigos daquele lugar.


Fiquei ali, entre memórias e presença, escrevendo, observando, deixando o tempo passar mais devagar. E foi nesse encontro entre o que fui e o que sou que lembrei que ainda existo para além das responsabilidades. Que ainda sou, profundamente, humana.


Era Páscoa. E, como se abril tivesse decidido me surpreender, houve também um reencontro inesperado desses que acontecem pelas vias silenciosas do virtual, mas que chegam carregados de verdade. Uma conversa que começou despretensiosa e, aos poucos, foi ganhando corpo, cumplicidade, afeto. Palavras que acolhem, risos compartilhados mesmo à distância, uma leveza que há tempos eu não sentia.


No meio de tanta rotina, cuidado e lembrança, esse reencontro trouxe um sopro novo. Uma espécie de companhia que não invade, mas soma. Que não exige, mas se faz presente. E, de algum jeito, me lembrou que, mesmo em fases mais recolhidas, a vida ainda encontra formas bonitas de florescer.

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