Ela é feita de raízes profundas, dessas que não cedem à mudança do tempo. Teimosa como terra seca, resistente como cerca velha que insiste em ficar de pé mesmo quando já não protege mais nada. Seu jeito controlador é como um rio que não aceita novos caminhos, sempre voltando ao mesmo leito, mesmo quando isso transborda e machuca as margens.
E eu fico ali, entre o dever e o afeto, entre o cansaço e o amor. Porque amar também é isso: cuidar mesmo quando o cuidado dói. É regar um jardim que, às vezes, não floresce mais.
Há momentos em que me sinto pequena outra vez, como menina no quintal, tentando agradar, tentando acertar. Mas agora sou eu quem sustenta, quem guia, quem ampara. E isso tem um peso manso e, ao mesmo tempo, esmagador como carregar água em mãos abertas.
Ainda assim, há beleza escondida. Nos raros instantes em que o olhar dela suaviza, quando o tempo parece recuar e algo doce atravessa o ar. São nesses segundos que encontro força para continuar. Porque, no fundo, cuidar dela também é cuidar de uma parte de mim, uma parte que aprendeu a resistir, a sentir, e a amar, mesmo nas paisagens mais difíceis.

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