4 de maio de 2026

Audiência Pública no Nova Carajás revela a rotina de abandono enfrentada pelos moradores



Se você acha que já viu de tudo em audiência pública, é porque ainda não participou de uma no bairro Nova Carajás, onde a pauta é a mesma, mas o roteiro sempre ganha novos episódios dignos de uma tragicomédia urbana.

Na noite marcada para “ouvir a população”, o que se viu foi um déjà vu coletivo com direito a plateia indignada, microfone disputado e uma lista de problemas que, se fossem resolvidos, talvez deixassem a reunião sem assunto (o que, convenhamos, seria revolucionário).


Entre uma fala e outra, surgiu ela: Maria da Conceição, moradora da famosa Rua 90, hoje mais conhecida como “prova prática de resistência off-road”. Sem rodeios, foi direta:


“A rua está intrafegável. Nem moto tá querendo mais passar por lá, quem dirá carro!”


E não parou por aí.


Maria, que já poderia receber um diploma honorário em “Persistência Urbana Aplicada”, relembrou que o Ministério Público já notificou duas vezes a Semob para resolver a situação da calçada dela destruída, segundo a própria, por uma ligação clandestina feita “lá atrás”, na época do Saaep.


“Quebraram, sumiram e deixaram a lembrança. A calçada virou obra histórica abandonada!”.


E assim seguiu a audiência.


As denúncias? As mesmas de sempre, com aquele ar de clássico que nunca sai de cartaz:


·         Infraestrutura (ou a falta dela, que é mais presente)

·         Pavimentação (um conceito ainda em fase de estudo em algumas ruas)

·         Água (quando vem, é festa; quando não vem, é rotina)

·         Saúde

·         Educação


Tudo muito conhecido, quase íntimo da população.

Mas o verdadeiro plot twist da noite não estava nas falas dos moradores e sim nas ausências.


O prefeito não apareceu.
Nenhum representante do Executivo apareceu.
Nenhum secretário apareceu.

Foi uma audiência democrática… com monólogo.


O que corre “a boca pequena”, o comentário que circulava com mais velocidade que carro em rua asfaltada era de que teria havido uma orientação direta do gabinete do prefeito: ninguém do alto escalão deveria comparecer.

Coincidência? Estratégia? Mistério digno de série.

Enquanto isso, no palco da realidade, os moradores continuaram fazendo o que sabem fazer melhor: falar, denunciar, insistir e, principalmente, cobrar.


Porque no Nova Carajás, se tem uma coisa que não falta, além de buraco, é memória.


Na saúde, falta até esparadrapo no posto de saúde. Os presentes fizeram duras críticas a atual gestão e sobrou até, inclusive pra quem, tecnicamente, nem segura a colher da obra. Sobrou até para o presidente da Câmara.


Em meio às falas inflamadas, alguns moradores direcionaram a insatisfação ao Legislativo, cobrando resultados concretos, obras visíveis, soluções imediatas. A cena quase virou um episódio de “quem resolve o quê”, não fosse um detalhe básico — e pouco conhecido por muita gente:


- Vereador não faz obra.
- Câmara não executa serviço.

O papel do Legislativo é outro: fiscalizar, cobrar e indicar melhorias. Mas, na prática, quando o buraco está na porta de casa, a teoria institucional perde espaço para a urgência do dia a dia.


E aí, meu amigo… sobra cobrança pra todo mundo.


No meio desse cenário, uma professora pediu a palavra e trouxe um dado que arrancou mais suspiros do que esperança. Segundo ela, a secretária de educação, Maura Paulina, visitou a escola Milton Martins cerca de um mês e teria feito cerca de 15 promessas voltadas para melhorias na escola, e até agora, apenas uma teria saído do papel:


“Pintaram o chão.”


Sim, o chão.


A frase, dita quase sem acreditar, ecoou no plenário com aquele misto de ironia e frustração que já virou marca registrada dessas reuniões.


Mas a resposta não demorou.


O vereador Zé do Bode, atento ao clima e à pressão crescente, tratou de destacar que o presidente da Câmara, ao longo do mandato, já apresentou 15 indicações de melhorias para a educação no bairro. Preposições que foram ignoradas pelo executivo por pura vaidade do atual gestor.


Quinze. Um número que, curiosamente, bate com o das promessas mencionadas pela atual secretária de educação, mas que vive em outra dimensão: a das propostas que aguardam execução.


Nos bastidores, o que se comenta é que parte dos projetos vindos da Câmara enfrenta uma resistência que vai além da burocracia. Há quem diga que, quando as solicitações partem de vereadores de oposição, elas acabam sendo engavetadas como se disputas políticas pesassem mais que as necessidades urgentes da população. Enquanto isso, quem mora no bairro segue esperando respostas concretas.


Entre o que é papel de um, obrigação de outro e ausência de muitos, o que sobra mesmo é a sensação de que o problema já é conhecido só falta combinar com a solução.


Sobre a iniciativa da Câmara Municipal de Parauapebas, realizar as audiências públicas, o presidente da Câmara, Anderson Moratório, enfatizou que, somente no ano passado, foram realizadas 11 audiências públicas para discutir o PPA do município. Encontros que reuniram a população, ouviram suas necessidades no qual resultaram em mais de 30 demandas apresentadas de forma legítima pelos moradores. No entanto, segundo ele, a maior parte desses projetos acabou sendo vetados pelo prefeito, o que levanta um questionamento inevitável: qual o real sentido de mobilizar a população, abrir espaço para escuta e incentivar a participação popular, se, na prática, essas vozes são ignoradas por quem tem o poder de transformar pedidos em ações? Ainda assim, Moratório reforçou que a Câmara não aceitou esses vetos, reafirmando que o compromisso do Legislativo deve estar acima de disputas e alinhado. 


3 de maio de 2026

Silêncios que Acolhem, Afetos que Chegam!

Encontro bastante facilidade em equilibrar as idas ao campo e os momentos de solitude. Eu sei que preciso dos dois, mas parece que sempre acabo pendendo mais para um lado: ou fico exausta, ou mal-humorada. E não é só essa falta de equilíbrio que tem me atravessado. Grande parte disso vem da responsabilidade de estar mais presente, cuidando da minha mãe já idosa, o que naturalmente me puxa para uma rotina mais recolhida. Ainda assim, abril me levou de volta ao campo e, de certa forma, a mim mesma.


Entre os cuidados com minha mãe, as idas ao mercado e os compromissos de sempre, consegui estar no campo três vezes ao longo do mês. Pode parecer pouco, mas, para mim, foi muito. Cada ida carrega um misto de dever e afeto, de cansaço e pertencimento.


Teve um sábado em que eu até tinha pensado em fazer algo diferente, mas acabei indo para lá mesmo. E, no fim, foi o melhor que poderia ter feito. Enquanto cuidava da minha mãe, entre um gesto e outro, encontrei pequenos intervalos de silêncio só meus. Caminhei pelo mesmo chão de terra que um dia percorri quando criança, senti o cheiro das árvores, ouvi os sons antigos daquele lugar.


Fiquei ali, entre memórias e presença, escrevendo, observando, deixando o tempo passar mais devagar. E foi nesse encontro entre o que fui e o que sou que lembrei que ainda existo para além das responsabilidades. Que ainda sou, profundamente, humana.


Era Páscoa. E, como se abril tivesse decidido me surpreender, houve também um reencontro inesperado desses que acontecem pelas vias silenciosas do virtual, mas que chegam carregados de verdade. Uma conversa que começou despretensiosa e, aos poucos, foi ganhando corpo, cumplicidade, afeto. Palavras que acolhem, risos compartilhados mesmo à distância, uma leveza que há tempos eu não sentia.


No meio de tanta rotina, cuidado e lembrança, esse reencontro trouxe um sopro novo. Uma espécie de companhia que não invade, mas soma. Que não exige, mas se faz presente. E, de algum jeito, me lembrou que, mesmo em fases mais recolhidas, a vida ainda encontra formas bonitas de florescer.

2 de maio de 2026

O Peso do Amor


Cuidar da minha mãe é como caminhar por um campo antigo ao entardecer, bonito, mas carregado de sombras longas. Há dias em que o vento sopra leve, trazendo memórias de quando eu era apenas filha, e ela, um abrigo firme. Mas há outros em que o ar pesa, como se cada palavra não dita se acumulasse nas nuvens, prestes a cair em forma de tempestade.

Ela é feita de raízes profundas, dessas que não cedem à mudança do tempo. Teimosa como terra seca, resistente como cerca velha que insiste em ficar de pé mesmo quando já não protege mais nada. Seu jeito controlador é como um rio que não aceita novos caminhos, sempre voltando ao mesmo leito, mesmo quando isso transborda e machuca as margens.


E eu fico ali, entre o dever e o afeto, entre o cansaço e o amor. Porque amar também é isso: cuidar mesmo quando o cuidado dói. É regar um jardim que, às vezes, não floresce mais. 


Há momentos em que me sinto pequena outra vez, como menina no quintal, tentando agradar, tentando acertar. Mas agora sou eu quem sustenta, quem guia, quem ampara. E isso tem um peso manso e, ao mesmo tempo, esmagador como carregar água em mãos abertas.


Ainda assim, há beleza escondida. Nos raros instantes em que o olhar dela suaviza, quando o tempo parece recuar e algo doce atravessa o ar. São nesses segundos que encontro força para continuar. Porque, no fundo, cuidar dela também é cuidar de uma parte de mim, uma parte que aprendeu a resistir, a sentir, e a amar, mesmo nas paisagens mais difíceis.


29 de abril de 2026

Câmara aprova moção de repúdio contra a Equatorial Energia por apagões e prejuízos em Parauapebas

 A insatisfação da população de Parauapebas com os serviços da Equatorial Energia ganharam reforço na Câmara Municipal na última quinta-feira (23). Por iniciativa do vereador Fred Sanção (PL), os parlamentares aprovaram, por unanimidade, a Moção de Repúdio nº 26/2026 contra a concessionária de energia elétrica.

 


A proposição é uma resposta institucional aos recorrentes apagões, oscilações de tensão e à demora no atendimento que têm penalizado residências e comércios locais. O documento aprovado não apenas expressa o descontentamento do Legislativo, mas exige providências imediatas e o envio da denúncia a órgãos de controle federais e estaduais.

 

O autor da moção destacou que o fornecimento de energia elétrica é um serviço público essencial, indispensável para o funcionamento regular das residências, comércios, escolas, unidades de saúde, atividades produtivas e demais serviços básicos.

 

“Por essa razão, sua prestação deve observar os princípios da continuidade, eficiência, qualidade, segurança e adequação, não sendo admissível que a população seja submetida a falhas frequentes e prolongadas em um serviço de tamanha relevância”, frisou.

 

Prejuízos materiais e "meia fase" nos bairros

Fred Sanção fundamentou a moção com um volume expressivo de denúncias recebidas em seu gabinete. Entre os problemas mais graves citados estão a queima de eletrodomésticos e equipamentos de trabalho devido à instabilidade da rede elétrica, além do fenômeno da "meia fase", onde bairros inteiros permanecem por dias com energia insuficiente para ligar aparelhos básicos.

 

De acordo com o vereador, além das falhas na rede elétrica, a população ainda enfrenta precariedade no atendimento ao consumidor, marcada por demora excessiva na solução de problemas, ausência de respostas efetivas, dificuldades de comunicação e suporte insuficiente para atender às necessidades dos usuários. “A deficiência no atendimento agrava o problema, pois transforma situações emergenciais em episódios ainda mais prolongados e desgastantes para os cidadãos”, relatou.

 

Gargalo nas regiões em expansão

Na proposição, Fred Sanção apontou que a situação é ainda mais crítica nas áreas de crescimento acelerado do município, como nos bairros Nova Carajás, Parque dos Carajás e no Complexo VS-10. Nestas localidades, a infraestrutura da concessionária parece não ter acompanhado o aumento da demanda populacional.

 

“Diante desse cenário, a presente Moção de Repúdio representa manifestação institucional legítima desta Casa Legislativa em defesa da população de Parauapebas, expressando inconformismo com a negligência e a incapacidade da Equatorial Energia em atender de forma digna, eficiente e eficaz os usuários do serviço público essencial que lhe foi delegado”, enfatizou o vereador.

 

Exigências e notificações

Além do repúdio público, o parlamentar cobra da Equatorial Energia a adoção de quatro medidas urgentes:

 

1. Reestruturar e ampliar a rede de distribuição nos bairros mais afetados, especialmente nas regiões em expansão urbana;

2. Garantir maior estabilidade no fornecimento de energia elétrica, com redução das quedas, oscilações e falhas prolongadas;

3. Melhorar significativamente os canais de atendimento ao consumidor, assegurando respostas rápidas, eficazes e compatíveis com a gravidade das ocorrências;

4. Agilizar a resolução das demandas operacionais e dos pedidos de ressarcimento por danos causados em razão das falhas na prestação do serviço.

 

Por fim, Fred Sanção pede à Mesa Diretora da Câmara o envio da Moção de Repúdio nº 26/2026 à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ao Ministério Público e à diretoria da própria Equatorial Energia para que medidas punitivas e corretivas sejam aplicadas.

 

Texto: Nayara Cristina / Foto: Renato Resende (AscomLeg 2026)

Projeto cria selo “Empresa Amiga do Autista” para incentivar apoio a terapias em Parauapebas

 A Câmara Municipal de Parauapebas analisou, na sessão ordinária desta terça-feira (28), o Projeto de Lei nº 04/2026, de autoria do vereador Laécio da ACT (PDT), que propõe a criação do selo “Empresa Amiga do Autista” no município. A iniciativa busca reconhecer e incentivar empresas que contribuam financeiramente com o tratamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).


De acordo com a proposta, o selo poderá ser utilizado por empresas e estabelecimentos que destinarem recursos a instituições sem fins lucrativos sediadas em Parauapebas, que atuem no atendimento e apoio a pessoas com TEA. A medida tem como objetivo ampliar o acesso a terapias e fortalecer a rede de assistência no município.


O projeto estabelece três categorias de reconhecimento — Ouro, Prata e Bronze —, conforme o valor das contribuições realizadas. A classificação, segundo o autor, pretende estimular maior engajamento do setor empresarial, além de garantir transparência no processo.


As empresas contempladas poderão utilizar o selo em materiais institucionais, embalagens, peças publicitárias e em seus estabelecimentos, como forma de demonstrar responsabilidade social. No entanto, o texto deixa claro que a certificação não poderá ser usada como atestado de qualidade técnica de produtos ou serviços.


O selo terá validade de um ano, com possibilidade de renovação, desde que as contribuições sejam mantidas. A regulamentação e os critérios operacionais ficarão a cargo do Poder Executivo municipal, que também poderá promover campanhas para divulgação da iniciativa.


Para o vereador Laécio, a criação do selo representa uma forma de aproximar o setor privado das políticas públicas voltadas à inclusão. “A proposta valoriza quem contribui e fortalece o atendimento às pessoas com autismo, criando uma rede de apoio mais ampla no município”, destacou.


Após ser debatido, o projeto foi aprovado pelos vereadores presentes. Com o parecer favorável da Casa Legislativa, o projeto segue para sanção do prefeito municipal.




Texto: Josiane Quintino / Fotos: Renato Resende (AscomLeg 2026)
28 de abril de 2026

Anderson Moratorio cobra transparência na Educação Especial e exige plano de trabalho para recuperação da malha viária de Parauapebas

 A sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada na quinta-feira (23), foi marcada por uma postura incisiva do presidente da Casa, vereador Anderson Moratorio (PRD). O parlamentar obteve a aprovação de quatro proposições que miram dois dos maiores gargalos da gestão municipal: a eficácia da inclusão escolar e o estado crítico da malha viária urbana e rural.

 


Educação Especial

Na Indicação nº 249/2026, Moratorio propôs a instituição do Sistema Municipal de Monitoramento, Transparência Administrativa e Auditoria Pedagógica do Plano de Ensino Individualizado (PEI). O objetivo é garantir que o documento, essencial para o desenvolvimento de alunos com deficiência, saia da burocracia e resulte em aprendizado real.

 

O vereador defende a implementação de uma plataforma de Business Intelligence (BI) para que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) acompanhe, em tempo real, se as metas pedagógicas de cada aluno estão sendo cumpridas. "Não se trata apenas de fiscalizar, mas de garantir que o investimento público resulte em aprendizagem efetiva para os estudantes com deficiência", justificou o presidente.

 

Infraestrutura do Bairro Cidade Jardim

O presidente da Câmara subiu o tom contra o que chamou de "inércia administrativa" em relação ao Bairro Cidade Jardim. Por meio da Indicação nº 250/2026 e do Requerimento nº 149/2026, Moratorio exigiu a recuperação imediata da Rua N13, no perímetro entre a Avenida N e a Rua M17, e explicações sobre o descumprimento de promessas feitas pela Secretaria Municipal de Obras (Semob) em 2025.

 

"Em agosto de 2025, a prefeitura afirmou que os estudos técnicos para as Avenidas I e J seriam iniciados 'em breve'. Quase um ano se passou e o que vemos é um hiato de silêncio enquanto os moradores do Cidade Jardim continuam reféns de buracos e lama”, denunciou o parlamentar.

 

O requerimento aprovado obriga a Semob a apresentar, em até 15 dias, projetos de engenharia e cronogramas de execução para as avenidas citadas e todas as vias adjacentes localizadas entre as ruas D12 e D21.

 

Segurança viária

Encerrando o pacote de cobranças, Anderson Moratorio apresentou o Requerimento nº 150/2026, no qual solicitou que o prefeito Aurélio Goiano apresente um Plano de Trabalho Estruturado para a recuperação da malha viária em todo o município.

 

Moratorio correlacionou diretamente a precariedade das vias ao elevado índice de acidentes de trânsito em Parauapebas. Na proposição, ele exige um diagnóstico dos pontos críticos, metas quantitativas de quilometragem por bairro e um plano de contingência para o período chuvoso.

 

“A deterioração asfáltica, agravada pela sazonalidade climática, não afeta apenas a mobilidade, mas coloca em risco a vida e a integridade física de milhares de cidadãos diariamente", enfatizou o presidente, ressaltando ainda que atuações improvisadas e pontuais não resolvem mais.

 

Encaminhamentos

Após aprovação em plenário, as proposições serão enviadas para providências do prefeito Aurélio Goiano. Como chefe do Legislativo, Anderson Moratorio afirmou que a Casa manterá uma fiscalização rigorosa sobre os prazos de resposta, especialmente no que se refere aos projetos de infraestrutura.

 

Texto: Nayara Cristina / Foto: Renato Resende (AscomLeg 2026)

Parauapebas avança e institui programa de teleatendimento em saúde mental

 



Na sessão ordinária desta terça-feira (28), a Câmara Municipal de Parauapebas aprovou o Projeto de Lei nº 229/2025, de autoria do vereador Laécio da ACT (PDT), que institui o Programa Municipal de Teleatendimento em Saúde Mental no município.



A proposta tem como principal objetivo ampliar o acesso da população a atendimentos psicológicos e psiquiátricos por meio de uma plataforma pública de telemedicina. A iniciativa busca atender, sobretudo, pessoas com dificuldades de locomoção, moradores de áreas rurais ou de difícil acesso e usuários que enfrentam longas filas na rede presencial.

De acordo com o texto aprovado, o programa prevê a oferta de escuta qualificada, acompanhamento psicológico e atendimento psiquiátrico remoto, funcionando como estratégia para reduzir a demanda reprimida e ampliar a cobertura da atenção psicossocial em Parauapebas — município que tem registrado crescimento populacional nos últimos anos.

A coordenação ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que deverá garantir a infraestrutura tecnológica, a atuação de profissionais habilitados e o cumprimento de normas de sigilo e privacidade, conforme a legislação vigente, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Além disso, o projeto prevê a capacitação contínua das equipes para atuação no atendimento remoto.

Outro ponto destacado é a integração do teleatendimento com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui serviços como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), a Clínica Psicossocial do Hospital Geral de Parauapebas e as Unidades Básicas de Saúde (UBS). A proposta reforça que o atendimento remoto será complementar, e não substituto ao presencial, garantindo a continuidade do cuidado.

O projeto também estabelece públicos prioritários, como pessoas com deficiência, moradores de áreas mais afastadas, usuários em acompanhamento contínuo e adolescentes em situação de vulnerabilidade psicossocial, especialmente no contexto de políticas de prevenção ao suicídio.

Com a aprovação em plenário, o projeto segue para sanção do Poder Executivo. A expectativa é que, após regulamentação, o programa contribua para ampliar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde mental no município.

Texto: Josiane Quintino / Fotos: Renato Resende (AscomLeg 2026).
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