Sempre gosto de escrever algo no
início do ano, mas não era o caso. Não desta vez. Mas o universo tem
um jeito singelo de nos surpreender e há momentos em que a felicidade provoca
uma sensação quase contraditória. Um desassossego! Eu sofro de excesso de vida,
passando aqui dentro. Eu sinto demais, tudo com muita intensidade. E sentir
demais, mesmo quando algo bom acontece, pode gerar um certo
desconforto, como se o coração não soubesse exatamente onde colocar
tanta emoção.
Isso juntado ao calor extremo dos
trópicos me trouxe insônia e uma desarmonia no peito. Senti que precisava
escrever. Boas emoções vêm acompanhada de um medo sutil de perder ou de não
conseguir sustentar aquilo que faz bem. É a estranheza de perceber que a
felicidade também exige coragem
Sentir profundamente as emoções é aceitar essa mistura
confusa e entender que o desconforto não anula o que é bom; ele apenas revela o
quanto aquilo importa. Quando algo nos toca de verdade, nos tira do lugar de
conforto que nos colocamos evitando muitas vezes os dessabores que construímos
no imaginário. É uma blindagem, uma proteção que nos assegura a tranquilidade
do não fracasso.
Como falei, o universo nos surpreende, cumpre seu papel e as
vezes nos jogam pro alto, dando uma sacudida naquilo que só queríamos deixar
quietinho, adormecido. E toda transformação assusta um pouco. Já
escrevi aqui sobre as mudanças e os efeitos que elas causam em mim, assim
também são certas emoções. Ainda assim, é nesse espaço sensível, entre o prazer
e o receio, que a vida acontece de forma mais autêntica e cheia de significado.
E quando as emoções não cabem no peito, eu preciso
colocá-las em outros lugares, e a escrita é um deles. Eu me valho dessa
grandiosa obra para dedilhar os teclados e assumir a fragilidade da vida. Eu
falei exatamente sobre isso num artigo que escrevi em 2022 O poder da escrita, como eu uso a escrita para trabalhar
minhas emoções.
Pode ser que essa estranheza toda seja pela falta do
trabalho. A gente é mesmo um ser estranho, não vê a hora de chegar os dias de
descanso e quando eles chegam, passados alguns dias a inquietude também aparece
e a gente sente falta do trabalho, daquela correria. A rotina, mesmo
cansativa, funciona como um eixo. Quando ela se rompe, somos obrigados a
encarar o que sobra, nós mesmos, sem obrigações. É nesse intervalo
instável que surgem insights, desejos adormecidos e a chance de reorganizar o
interno antes que a rotina volte a nos vestir de normalidade.
Eu acho que não escrevi coisa com coisa nesse post, (risos).
Deve ser coisas da Lua. Será! Enfim, o resultado de toda essa
hipersensibilidade emocional da noite passada é talvez mais um fim de mais um
bloqueio criativo ou quem sabe apenas o resultado das surpresas que a internet
chata traz, he, he...eu falo disso 👉 Aqui! Então, vamos começar o ano com
esperança. 🍁

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