2 de janeiro de 2026

O Desassossego da Felicidade Numa Noite de Trópicos!

Sempre gosto de escrever algo no início do ano, mas não era o caso. Não desta vez.  Mas o universo tem um jeito singelo de nos surpreender e há momentos em que a felicidade provoca uma sensação quase contraditória. Um desassossego! Eu sofro de excesso de vida, passando aqui dentro. Eu sinto demais, tudo com muita intensidade. E sentir demais, mesmo quando algo bom acontece, pode gerar um certo desconforto,  como se o coração não soubesse exatamente onde colocar tanta emoção.

 

Isso juntado ao calor extremo dos trópicos me trouxe insônia e uma desarmonia no peito. Senti que precisava escrever. Boas emoções vêm acompanhada de um medo sutil de perder ou de não conseguir sustentar aquilo que faz bem. É a estranheza de perceber que a felicidade também exige coragem

Sentir profundamente as emoções é aceitar essa mistura confusa e entender que o desconforto não anula o que é bom; ele apenas revela o quanto aquilo importa. Quando algo nos toca de verdade, nos tira do lugar de conforto que nos colocamos evitando muitas vezes os dessabores que construímos no imaginário. É uma blindagem, uma proteção que nos assegura a tranquilidade do não fracasso.

 

Como falei, o universo nos surpreende, cumpre seu papel e as vezes nos jogam pro alto, dando uma sacudida naquilo que só queríamos deixar quietinho, adormecido.  E toda transformação assusta um pouco. Já escrevi aqui sobre as mudanças e os efeitos que elas causam em mim, assim também são certas emoções. Ainda assim, é nesse espaço sensível, entre o prazer e o receio, que a vida acontece de forma mais autêntica e cheia de significado.

 

E quando as emoções não cabem no peito, eu preciso colocá-las em outros lugares, e a escrita é um deles. Eu me valho dessa grandiosa obra para dedilhar os teclados e assumir a fragilidade da vida. Eu falei exatamente sobre isso num artigo que escrevi em 2022 O poder da escrita, como eu uso a escrita para trabalhar minhas emoções. 

 

Pode ser que essa estranheza toda seja pela falta do trabalho. A gente é mesmo um ser estranho, não vê a hora de chegar os dias de descanso e quando eles chegam, passados alguns dias a inquietude também aparece e a gente sente falta do trabalho, daquela correria.  A rotina, mesmo cansativa, funciona como um eixo. Quando ela se rompe, somos obrigados a encarar o que sobra,  nós mesmos, sem obrigações. É nesse intervalo instável que surgem insights, desejos adormecidos e a chance de reorganizar o interno antes que a rotina volte a nos vestir de normalidade. 

 

Eu acho que não escrevi coisa com coisa nesse post, (risos). Deve ser coisas da Lua. Será! Enfim, o resultado de toda essa hipersensibilidade emocional da noite passada é talvez mais um fim de mais um bloqueio criativo ou quem sabe apenas o resultado das surpresas que a internet chata traz, he, he...eu falo disso 👉  Aqui! Então, vamos começar o ano com  esperança. 🍁

 

 

 

 


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