28 de abril de 2016

Diário de uma Mãe: Amamentação e Como lidar com o Preconceito


Há algum tempo eu queria escrever esse post. Na verdade é  mais um desabafo, que não  deixa de ser um alerta as mamães. 
Então  sugiro que você  se sente, por que a narrativa é  longa!
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O meu filho Pedro Augusto, está  com 1 ano e 9 meses e ainda mama em mim. Após  duas tentativas frustradas de desmamá-lo, eu finalmente me conscientizei que estava fazendo exatamente o que  eu não  queria e sim o que as pessoas em volta estavam me incentivando a fazer. 
Incrível  como  somos afetado pelas opiniões  alheias e como as vezes o preconceito nos atinge. :-(  É,  é  isso mesmo, preconceito.  Infelizmente  vivemos numa sociedade  onde a maioria das pessoas  tem preconceito  em ver uma mãe  amamentando  seu filho se ele tiver mais de ano de vida. 


Eu vivêncio isso diariamente,  tem se tornado algo corriqueiro pra mim. E acredite,  sofro preconceito  das próprias mulheres,  mães,  algumas de minha própria família.  :-(
Eu quero dizer aos e as desavisadas,  que eu me sinto mamífera,  mãe! As críticas estão se tornando insuportáveis já que  os 2 anos estão chegando. É  desumano as pessoas não aceitarem que eu filho ainda mame no peito. 
Isso tem gerado um grande desgaste emocional e por duas vezes tentei desmamar meu filho e foi frustrante pra mim e mais ainda pra ele.  

A primeira tentativa frustrada do desmame foi quando ele tinha 1 ano e 2 meses. Viajei, nunca tinha me separado do meu filho. Fiquei 24h fora, foi quando decidi voltar, minhas mamas estavam doloridas demais, passaram a noite vazando, e estavam começando a  empedrar.  Finalmente, após  36h longe dele cheguei em casa, ele me abraçou e veio direto procurar o peito. Eu amamentei ele, e ele mamou tanto, e mesmo assim não  conseguiu esvaziar as duas mamas. 

Depois daquele fatídico  dia prosseguir com a amamentação  sempre que ele pedia. Mas começaram a vir as cobranças  da família e dos amigos. Foi que decidir  novamente desmama-lo com  1 ano e 6 meses. Essa apesar de  menos dolorosa também foi decepcionante,  para todos, até  mesmo para mim, pois me sentir impotente. 
Nessa segunda tentativa, mandei o Pedro com a irmã  para a fazenda dos avós. Lá  seria mais tranquilo porque tem um priminho dele, as tias, enfim, parecia que tudo ia dá certo. Como de fato deu. Ele não  chorou, aceitou a mamadeira, outros alimentos, e aparentemente  não  estava sofrendo. Na verdade,  eu estava sofrendo.  E comecei  a entrar em paranóia  e examinando o que eu estava fazendo, tomando uma atitude por conta de um comportamento  cultural de uma sociedade  preconceituosa e desinformada. 

Na terceira noite pensei sobre tudo isso. O meu leite já  havia secado, e não  sofri tanto com as mamas doloridas como  a primeira tentativa. Mas na manhã  seguinte liguei para a minha irmã e pedi a ela que trouxesse o meu filho. 
A assim ela fez. Trouxe o Pedro  e ele não  parecia lembrar  da mama. Mas ao passar das horas ele lembrou e veio procurar o peito. Eu tentei conversar  falar que o leite havia acabado, mas não  teve jeito, ele começou  a chorar. Então  eu dei a ele, só que  não  tinha mais leite. Mesmo sem leite, ele sugava a mama. No dia seguinte foi a mesma coisa, e eu fazendo isso tudo escondida da família  para que não  vissem eu dando mamar pro meu filho. 

No terceiro dia ele continuou querendo a mama, foi que então  eu comecei a perceber que o leite estava voltando,  e ele mamava mais. Resumindo, as mamas encheram novamente e amamentei uns 15 dias escondido.

Veja bem, que coisa ridícula isso, há,  há!  Gente, não  acredito que fiz isso!  Pois é,  fiz e um dia me flagraram amamentando o Pedro, e adivinha?  Me escrotiaram! Como eu já  estava com os pacová cheio de tudo aquilo, eu deixei o meu recado. Que eu vou amamentar o meu filho até  o dia que eu quiser e que ele quiser também.  E quem achar ruim vai reclamar como papa! Aff!

O que me fez voltar atrás e parar o desmame, foi um artigo que eu lí  sobre o desmame abrupto. E eu fiquei apavorada com as consequências  que a criança  pode sofrer ao ter a amamentação rompida bruscamente. 

Agora que já  li  bastante  sobre o assunto  eu me sinto mais preparada para a fase do desmame. E estou me programando  para fazer o desmame planejado.  :-) ♥
Esse tipo de desmame é  menos frustrante para a mãe  e o bebê pois acontece de forma gradual e natural.
As pessoas têm que entender que a amamentação  é  mais que um alimento, amamentar  é um laço  muito forte entre mãe e  filho.  É  amor, aconheço,  acalento, é olhar olho no olho. Fora os benefícios  para a saúde  de ambos. Se fosse citar os infinitos benefícios  da amamentação  após  1 ano, esse post quase não teria fim.
Amamento sem fraldinha pra tampar. 
A minha primeira filha  foi prematura  e amamentei apenas até  6 meses. Me arrependo muito, e inclusive eu conto isso a ela e ela me reprime, dizendo tadinha de mim quase  não  mamei. 
A Maria Luiza mamou até  1 ano. Por causa da vida corrida por conta do trabalho eu tive que desmama-lá cedo também.  Mas em nenhuma das duas o desmame foi abrupto. Elas ficaram comigo o tempo todo, desmamei  sempre oferecendo outro alimento e ninando até  adormecerem. As vezes penso, não  sei o que me deu para tentar o desmame abrupto no Pedro.  Acho que foram as pesadas críticas!

Então,  essa é  a minha experiência  com a amamentação  após 1 ano. Alguém  aí  conseguiu  se identificar? 
Grata por lerem esse relato. E se você  passa por algo parecido, não  desmame seu filho  por causa das críticas,  desmame quando você  saber a hora para isso.
Bjim. 



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