14 de agosto de 2016

Diário de Uma Mãe: Não sou Pai e Mãe, sou Apenas Mãe!

Olá.
Eu poderia escrever esse post e falar sobre diferentes nuances dentro desse universo que é a paternidade. Portanto prefiro falar sobre a paternidade que a mim me delegam.
Então sugiro que você pegue um café, por que o desabafo é grande e vamos precisar, he, he.
Ora, sou apenas mãe. Nasci para isso, meu corpo, minha mente foi preparada para ser mãe. Por mais que meus amigos e a sociedade me dão esse título de pai e mãe, eu digo, sou apenas mãe, tento ser uma boa mãe. Jamais conseguirei assumir na vida do meu filho a identidade de um pai.

Meu filho não tem pai. Ainda não tem, quem sabe poderá vir a ter um dia. O dia de hoje, me faz refletir sobre o impacto que isso terá na vida do Pedro Augusto. Não é só a falta do nome do pai na Certidão de nascimento, é a falta do pai na vida. Ter um pai, é um direito que foi negado a ele. Um direito que eu não posso dar. Isso me faz sentir tão impotente. Por outro lado, a lei assegura esse direito. Mas o que é ser pai? É apenas um título, é uma obrigatoriedade imposta pela lei, ou ser pai é instruir outro ser na vida, dando amor, carinho, responsabilidade e dedicação. Esse termo ser pai, está defasado pela lei, pela sociedade e pela própria família.
Quando decidi ter o meu filho sozinha, desde então venho examinando que meu filho veio perdendo muito, mas por outro lado, ele veio vencendo. Ele ganhou a vida. Perdeu por que o pai biológico negou a paternidade, e abortou socialmente o meu filho, pois cada  vez que um homem rejeita um filho ao negar sua paternidade, ele também comete um aborto.  Infelizmente, muitos homens alegam não ter quaisquer responsabilidades na questão da reprodução.  Evitar a gravidez e se proteger nas relações sexuais são uma atividade exclusivamente feminina?

A gente vê pouca discussão nos fóruns, na sociedade como um todo nessa questão da paternidade não assumida e seus efeitos na vida de uma criança. Hoje o dia foi bem legal, nossa! Foi legal mesmo, muitíssimo agradável. Mas daqui cinco anos, como o Pedro vai agir nessa data. Fico pensando se ele vai virar pra mim e perguntar por que seus coleguinhas tem pai e ele não. Pergunto-me, o que a sociedade está fazendo para essas crianças. Essa mídia de comercialização, que se tornaram todas as datas alusivas, inclusive a do Dia dos pais. Fico pensando nas crianças que nunca tiveram o direito de comemorá-las.
Quando eu fiz a escolha de ser mãe novamente de um filho sem pai, não foi a escolha mais fácil, mas com certeza foi a melhor e mais correta. Afinal, sofrer as consequências de um aborto deve ser terrível. O pai biológico do meu filho me propôs isso, um aborto, O mesmo disse que não queria ser pai novamente. O que poderia eu fazer diante de tudo isso era dar seguimento na minha gravidez, pois eu vim na terra para viver e dar a vida, aprender a amar e não praticar o desamor e tirar vidas, ainda mais do meu próprio filho.


Que me perdoe o feminismo, mas se tratando dos direitos da mulher, onde está o direito do ser a caminho? O direito a vida. Vida, por que o fato de nascer não extingue a vida antes do nascimento.  Quando contrariei o pai do meu filho a não fazer o aborto, eu virei por consequência uma feminista declarada ao primeiro direito do qualquer ser humano. O direito de nascer. O direito da vida! Sofri muito com os argumentos de que meu filho poderia nascer com problemas físicos e até mentais. Tudo na tentativa de me fazer desistir dele. Esses argumentos são nojentos, e se tornaram um pesadelo durante toda a minha gestação.
Eu sou espírita cristã, e acredito que o aborto é a regressão da espiritualidade e da humanidade. Um novo ser humano na terra é a forma que Deus usa para evoluir os espíritos. Não sou eu e nem você que decide quem vive e quem vai morrer. Quem faz um coração bater é Deus, então quem pode pará-lo é somente Deus. Contrariar as leis divinas não está em meus planos. Praticar um aborto é matar vidas. 

Fico me perguntando de que lado às pessoas está. É uma guerra social, entre o mais forte e o mais fraco. Claro que no mundo todo existe o holocausto silencioso, acredite existem leis que permite isso, a matança de seres humanos. E olho para meu filho e às vezes, penso que ele é um sobrevivente de tudo isso. Isso me afeta muito às vezes. Não quero julgar ninguém, mas sinto uma dor terrível e não quero condicionar meu filho a ser vítima da falta de responsabilidade de outra pessoa.

Vejo com o que passei, que Deus transforma em coisas belas as coisas terríveis que vivi. E diante de tudo isso, às vezes não compreendemos o tanto que o sofrimento pode ser belo.  Hoje olho para meu filho, tão saudável, tão inteligente e vejo quão rico é o nosso amor.  E o mínimo que eu posso fazer é apenas ser uma boa mãe pra ele, e encaminhá-lo no caminho em que se deve andar. Dar o melhor de mim. Quero poder dizer a ele quando crescer que ele nasceu para a grandeza. É para isso que os homens nascem. Para defender as mulheres e as crianças. Que homens não são feitos para usarem mulheres e a deixarem sozinhas. Homens são feitos para lutarem por algo, para serem chefes de famílias, pois nós mulheres estamos cansadas de fazerem o trabalho de vocês. Quero muito ensinar isso a ele.

Com tudo isso que aconteceu com a gente, eu aprendi muitas coisas, e uma delas foi que o meu valor e a minha dignidade devem prevalecer.  O que devo fazer é procurar sempre criar maneiras que meu filho não seja afetado pela falta do pai. Diante disso tudo eu me sinto lisonjeada e agradecida por ter tido na vida um pai em todos os sentidos que a palavra cabe. Um pai que me assumiu como filha, a mim e aos meus 8 irmãos. Um exemplo de pai, esposo e amigo. Ensinou-me não com palavras, mas com o exemplo. A honestidade é sua principal característica. Ele foi honesto com a família, com os filhos, com a sociedade, com as leis, com os princípios, com os valores.  Meu pai Francisco, mais conhecido como seu Chico, é para mim a referencia de um homem verdadeiro em minha vida. É isso que quero ensinar aos meus filhos. O valor da honestidade, para serem homens de bens e assumirem suas responsabilidades. 
Esse é o MEU CAMPEÃO!!! Pedro Augusto Nascimento!
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